Brigas... e Depois?
Chico Buarque.
Santa Cruz, número 3 - 05/63
Eram meras questões de minutos. E o encontro dos namorados mais parecia um duelo de ciúmes.
— Você chega sempre atrasado.
— É, sei. E ontem, quem é que ficou aqui esperando, que nem um pateta?
— Ah, eu só atrasei dois minutos. Hoje você atrasou dez.
— Você é que chegou adiantada. Mas deixa que qualquer desses dias eu descubro o que você tanto faz, que nunca chega na hora certa.
E as discussões se sucediam, sem pé nem cabeça. Mas ciúmes são cegos como o próprio amor. São sentimentos mesquinhos, minuciosos, não esquecem a insignificância dos mínimos segundos. As batidas do coração jamais deveriam se escravizar aos tiquetaques desencontrados de dois relógios diferentes.
A verdade, porém, é que eram ambos loucos, um pelo outro, e seus corações acabavam por se entender, num ritmo comum de compreensão. E as hostilidades descansavam invariavelmente em beijinhos e mil perdões.
— Desculpe, viu, amor?
— Que nada, meu bem, a culpa foi toda minha.
— Não, eu é que fiquei nervosa.
— Deixa disso, eu banquei o bruto.
Por pouco não voltavam a discutir.
Assim correram muitos meses e muitas, muitas brigas, e os dois não chegavam a um acordo. Mas a vida tem dessas coisas. Quando se dá conta, a felicidade já é irremediavelmente retrato na parede, cartinha na gaveta, passando.
Alguns anos mais tarde, ela se casava com um rapaz bonito, tipo galã da Metro. Viveram em harmonia, sem brigas, sem discussões, talvez por falta de imaginação do atlético marido.
Por outro lado, o antigo namorado da adolescência não tardou a se apaixonar pelo lindo dote de uma mocinha que era um tesouro, filha de próspero industrial. Embora se tratasse de uma menina meio café-com-leite, sua herança lhe dava um quê de exótico. Alimentava por ela uma intensa, excêntrica paixão, enquanto que o bonachão rodava com seu Rolls-Royce, jogava em Monte Carlo e repousava em seu iate transatlântico. E numa atitude de misericórdia, suportava, geralmente, como um senhor onipotente, os carinhos milionários da esposa.
Muito tempo depois, porém, por um desses acasos que só o destino sabe explicar, os dois antigos namorados se encontravam nas areias de Copacabana, que é a praia onde todos vão. Já não eram os mesmos. Ele parecia carregar os milhões matrimoniais na respeitável barriga. Ela continuava encantadora, mas apenas na medida que possa encantar uma mulher de cinqüenta anos. Conversaram pouco, o silêncio disse mais. E voltaram a se encontrar, com mais freqüência e menos acaso. Já eram, no entanto, velhos demais para as inflamadas e inúteis discussões dos dezessete anos. Caminhavam calmamente pela areia molhada, mão na mão, por mais ridículo que possa parecer para a sua idade. Caminhavam sem rumo, sem tempo, sem horizonte. E quando se voltavam, sentiam a nostalgia da vida perdida em poucos minutos.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Confiança é conseqüência de sinceridade e de respeito. E quando não existe nenhuma das duas? O que pode mover um relacionamento? São coisas que ando me perguntando nos últimos dias. Quantas e quantas mulheres já passaram por situações onde o seu companheiro não dava como resposta essas “chaves” e elas não cansavam de se doar, de fazer força para que não se esvaísse o relacionamento. Por quê? Porque o sentimento consegue falar mais alto.
Porem, tudo tem seu limite. Chega num ponto onde o sentimento existe e o relacionamento não mais; pois houve um erro de uma das partes, ou das duas. E como a parte lesada, pode tentar uma reconstrução disso? Seria assim o fim de um relacionamento? Viver outra história apagaria essa? Não. Precisamos aprender que vivemos num mundo digitalizado mas não somos como as maquinas que depois de aperta um botão tudo foi pra lixeira, e depois será excluído também desta. Ou seja, não teríamos passado.
O passado não acontece em vão, precisa ser encarado como uma base pro futuro.Descartando-se esta base você nada será. Não pensando no passado, nada poderá oferecer de bom pra um possível futuro.
Porem, tudo tem seu limite. Chega num ponto onde o sentimento existe e o relacionamento não mais; pois houve um erro de uma das partes, ou das duas. E como a parte lesada, pode tentar uma reconstrução disso? Seria assim o fim de um relacionamento? Viver outra história apagaria essa? Não. Precisamos aprender que vivemos num mundo digitalizado mas não somos como as maquinas que depois de aperta um botão tudo foi pra lixeira, e depois será excluído também desta. Ou seja, não teríamos passado.
O passado não acontece em vão, precisa ser encarado como uma base pro futuro.Descartando-se esta base você nada será. Não pensando no passado, nada poderá oferecer de bom pra um possível futuro.
Falta sinceridade, falta que as pessoas não sejam influenciáveis por joguinhos, achando que só assim encontrariam o grande amor, pois isso o perderia!Pórem o que é verdadeiro não acaba assim. Mas, é bom que algo aconteça pra q se possa ver qual é a verdadeira personalidade das pessoas, que, no caso, se revela num simples exemplo: quando dizem sim querendo dizer não; ate não agüentar mais e explodir tudo!
Como é difícil ter de viver o novo de novo! Até que chega o tempo que nos acostumamos e até gostamos de viver as mesmas situações, cometer os mesmos erros e tudo com um sabor de novo. O novo de novo nada tem. Mas insistimos em fechar os olhos para as situações, tão recorrentes, achando que tudo estará resolvido nessa nova vivência enquanto nunca se resolverá.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Buscas
Em busca do inexistente, eu fico meio eminente
entre o latente
ou o unilateral,
não sei bem ao certo!
me sinto em um funeral
Num escarpin vermelho.
Me olho no espelho
e me sinto patética,
apática, desajustada.
Cordas e sinos,
ou signos!
Atendo aos estímulos
de um vazio.
No futuro se enxerta,
pois a vida é tão incerta,
o nosso mundo completo.
entre o latente
ou o unilateral,
não sei bem ao certo!
me sinto em um funeral
Num escarpin vermelho.
Me olho no espelho
e me sinto patética,
apática, desajustada.
Cordas e sinos,
ou signos!
Atendo aos estímulos
de um vazio.
No futuro se enxerta,
pois a vida é tão incerta,
o nosso mundo completo.
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